Os marcadores do voto para 2026
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores
terça, 03 de fevereiro de 2026

As eleições nacionais no Brasil costumam ser organizadas em torno de grandes temas, quase sempre conectados ao contexto social, econômico e político de cada período. Mais do que disputas entre nomes, elas refletem o espírito do tempo e as principais angústias da sociedade.

A primeira eleição direta após a abertura política foi um exemplo claro disso. Fernando Collor venceu com um discurso moralizador, centrado no combate à corrupção, na crítica aos altos salários do funcionalismo público, os chamados “marajás”, e na promessa de modernização do Estado. O país vivia frustração econômica, inflação elevada e descrédito nas instituições, cenário que favoreceu uma narrativa de ruptura e renovação.

Poucos anos depois, o tema central mudou. A vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994, repetida em 1998, esteve diretamente associada à estabilidade econômica. O Plano Real e o fim da hiperinflação organizaram o debate eleitoral e deram ao discurso econômico um peso decisivo.

Em 2002, a chegada de Lula à Presidência representou uma nova inflexão. Sua vitória combinou esperança social, compromisso com políticas de redução da desigualdade e uma postura de moderação econômica. Lula apresentou-se como alguém capaz de promover inclusão sem romper com a estabilidade, conciliando expectativas populares e confiança do mercado, renovando a esperança do eleitorado.

Dilma Rousseff venceu em 2010 com um discurso de continuidade. A campanha reforçou a ideia de manutenção do crescimento, ampliação das políticas sociais e valorização da gestão técnica. A promessa era seguir no mesmo rumo iniciado por Lula, garantindo desenvolvimento com inclusão.

A eleição de 2018 ocorreu em um ambiente radicalmente diferente. Crise econômica, desgaste da classe política, escândalos de corrupção e forte polarização abriram espaço para a vitória de Jair Bolsonaro. Seu discurso antissistema, de combate à “velha política”, defesa de valores conservadores e endurecimento na segurança pública ganhou força em um contexto marcado pela Operação Lava Jato, pelo uso intenso das redes sociais e pelo alto índice de rejeição ao PT.

Já em 2022, Lula voltou ao Planalto em um cenário de polarização extrema e desgaste social agravado pela pandemia. A campanha foi organizada em torno da ideia de reconstrução nacional, defesa da democracia e retomada de políticas sociais. Lula buscou ampliar alianças e se apresentar como uma liderança capaz de reduzir conflitos, restaurar programas como o Bolsa Família e devolver estabilidade ao país.

Olhando para 2026, a tendência é de uma eleição novamente orientada por temas concretos do cotidiano. Economia, segurança pública e políticas sociais devem ocupar o centro do debate. Emprego, renda e custo de vida tendem a ser questões decisivas para o eleitorado, enquanto a preocupação com violência e crime organizado deve ampliar o peso da pauta da segurança. A polarização política, ainda presente, continuará sendo alimentada pelas redes sociais, que também fomentará o discurso anticorrupção.

Nesse contexto, a atuação institucional também ganha relevância, tendo em vista que o Tribunal Superior Eleitoral lançou a logomarca das eleições com o slogan #VotoNaDemocracia, reforçando o voto como pilar da cidadania e da legitimidade política.

Mais do que um detalhe simbólico, esse enquadramento dialoga com um ambiente político em que a defesa das regras do jogo democrático tende a se tornar, também, um elemento estruturante da eleição de 2026.

 

Fonte: