O Tribunal do Júri de Frederico Westphalen condenou na terça-feira, 17, o réu Evandro do Amaral, acusado de feminicídio, a 98 anos, três meses e 18 dias de prisão. O julgamento ocorreu no Fórum do município, e o homem já se encontrava preso preventivamente. O júri foi presidido pelo juiz Pedro Henrique Schidlowski.
O caso teve grande repercussão regional após a morte de Ângela Stratmann, de 35 anos, encontrada sem vida na varanda de casa, no interior do município, em janeiro de 2025. As investigações apontaram que o crime foi cometido pelo companheiro da vítima, com quem mantinha um histórico de violência doméstica.
De acordo com a Polícia Civil, o réu submetia a mulher a ameaças constantes e episódios de tortura. Em 16 de janeiro de 2025, dia do crime, ela foi obrigada a gravar as agressões e sofreu violência extrema, que resultou em hemorragia intracraniana e morte. Após o homicídio, o acusado ainda tentou simular um acidente para despistar as autoridades, segundo a investigação.
O inquérito também revelou um histórico anterior de agressões. O homem já havia sido preso em 2022 por torturar a mesma vítima, sendo liberado no fim de 2023. Mesmo após a soltura, o casal voltou a conviver, e novos episódios de violência foram registrados antes do crime fatal.
Durante o julgamento, os jurados acolheram as provas apresentadas pelo Ministério Público, reconhecendo a gravidade dos crimes. A pena elevada reflete a soma das condenações por feminicídio e outros delitos associados, como tortura e fraude processual. Com a decisão, o réu permanece preso para cumprimento da pena em regime fechado.
De acordo com o delegado da PC-FW e responsável pelo caso, Jacson Oiliam Bones, diz que a Polícia Civil não se limitou ao crime de feminicídio, mas buscar entender todo o histórico de violência sofrido por Ângela Stratmann. “A condenação em primeiro grau do acusado a uma pena elevada reflete a gravidade dos fatos apurados. A investigação da Polícia Civil não se limitou ao feminicídio, mas também buscou entender todo o histórico de violência envolvido no caso, identificando outros crimes relacionados que não eram conhecidos inicialmente, o que permitiu à Justiça ter uma visão completa da situação e aplicar uma pena proporcional à dimensão das condutas praticadas, disse Bones.