A intervenção administrativa no Hospital Divina Providência (HDP), em Frederico Westphalen, entrou em uma nova fase nesta semana, com o início formal da articulação institucional para execução do decreto publicado na última sexta-feira, 20.
Uma reunião realizada no fim da tarde de segunda-feira, 24, na sede do Ministério Público (MP), reuniu representantes de diferentes esferas para alinhar as primeiras medidas da intervenção, considerada estratégica para garantir a continuidade e a reestruturação dos serviços de saúde no município.
Auditoria interna
Um dos principais eixos da intervenção será a auditoria interna em andamento no HDP, considerada peça central para a reestruturação da instituição. O levantamento, solicitado pelo Ministério Público, deverá ser concluído até a metade de abril e deve apresentar um diagnóstico detalhado dos processos administrativos e financeiros adotados nas últimas gestões.
Segundo o prefeito Orlando Girardi, os dados levantados serão fundamentais para embasar decisões futuras. “Vamos precisar dessas informações de controle interno para auxiliar na tomada de decisão”, afirmou. A expectativa é que a auditoria aponte não apenas inconsistências, mas também caminhos técnicos para reorganizar a gestão hospitalar. O prefeito reforçou que a prioridade absoluta da intervenção é garantir a continuidade dos atendimentos. Ele destacou que serviços essenciais não devem sofrer interrupções ao longo do processo.
Girardi também citou o apoio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (MEDIAR), que atuará na mediação institucional e no suporte à tomada de decisões. “Queremos fazer aquilo que é legal para auxiliar no trabalho junto ao HDP. O hospital não pode parar, e precisamos unir forças entre os poderes, deixando de lado as questões partidárias”, declarou. Girardi lamentou o afastamento da direção anterior, reconhecendo o esforço realizado de forma voluntária. “Agradeço por terem auxiliado nos últimos meses na manutenção do hospital”, afirmou.
O ex-presidente do HDP, Paulo Lima, explicou que a saída da diretoria ocorreu diante da impossibilidade de manter a gestão em caráter voluntário. “Estava muito pesado, sem condições para um trabalho apenas voluntário. Nosso compromisso com o hospital não acabou, seguimos à disposição para colaborar”, destacou.
Comissão entre poderes e sociedade
Como encaminhamento da reunião, foi definida a criação de uma comissão com representantes dos poderes constituídos e da sociedade civil, responsável por planejar e acompanhar as ações de recuperação do hospital. A administração municipal também prevê a realização de uma coletiva de imprensa assim que a comissão estiver formada e houver definição das primeiras medidas práticas.
A condução da intervenção sob supervisão do Ministério Público e com base em auditoria técnica reforça a busca por transparência e rigor na gestão, elementos considerados essenciais para restabelecer a confiança da comunidade e garantir a sustentabilidade do Hospital Divina Providência.
O encontro contou com a presença do promotor de Justiça Guilherme Santos Rosa Lopes; do prefeito Orlando Girardi; de secretários municipais e da assessoria jurídica do Executivo; do presidente da Câmara de Vereadores, Ismael Cocco dos Santos; além dos líderes de bancada Belonir Vendruscolo (PP), Marcos Ceratto Cerutti (PL), Adilson Severo (PSDB) e Marizete Frozzi (MDB).
Também participaram, a coordenadora da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde, Marly Vendruscolo; o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Adriano Reis; a interventora do hospital, Lisete Cristina Bison; e representantes da antiga diretoria da instituição, entre eles Paulo Lima e Sandra Vendruscolo.