O combate à violência contra a mulher voltou ao centro dos debates na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul com o retorno das atividades do Parlamento. O tema ganhou ainda mais urgência diante do aumento dos casos no Estado: somente em janeiro de 2026, foram registrados 11 feminicídios, número 22% maior do que no mesmo período do ano passado.
Logo após a posse da nova Mesa Diretora, a Procuradoria da Mulher convocou uma reunião para tratar da escalada da violência de gênero. Entre as propostas discutidas, destacou-se a sugestão de um mutirão legislativo para dar prioridade à tramitação e votação de projetos voltados à proteção das mulheres. A iniciativa foi apresentada pelo deputado Adão Pretto Filho, presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da ALRS e coordenador da Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher.
Segundo o parlamentar, o momento exige uma resposta rápida e efetiva do Legislativo. “Estamos vivendo uma epidemia de violência contra as mulheres, com casos espalhados por diferentes regiões do Estado. A proposta é que, nos próximos três meses, possamos aprovar projetos que ampliem a proteção e salvem vidas”, afirmou.
Além do mutirão, Adão Pretto Filho encaminhou requerimento à Mesa Diretora solicitando prioridade na tramitação de matérias que garantam mais segurança e acolhimento às vítimas. O deputado também cobrou mais investimentos do governo estadual na qualificação do atendimento às mulheres, especialmente nas delegacias especializadas.
Dados da Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher reforçam a gravidade do cenário: entre 2012 e 2025, o Rio Grande do Sul registrou 1.284 feminicídios e mais de 27 mil casos de estupro. Para Pretto, além de ações imediatas, a prevenção é fundamental. Autor do projeto que prevê a inclusão da Lei Maria da Penha no currículo das escolas estaduais, ele defende a educação como caminho para mudar a cultura de violência e machismo e construir um futuro mais seguro para as próximas gerações.